Maputo - Aterragem difícil
chega hoje o post africano.
dos primeiros dias.
31 de agosto
porto+30m=lisboa
4h30
lisboa+10h30=joanesburgo
1h30
joanesburgo+45=maputo
1 de setembro
Maputo estava cercado por fumo de pneu a arder.
Chegamos às 8h ao aeroporto, saímos de lá ás 17h escoltados por uma pick up generosamente armada, num carro de uma qualquer agência da UN. Uma viagem com qualquer coisa de pânico. Poupo a dor de estômago para nós.
Terão ouvido falar de qualquer coisa.
2 de setembro
O som dos tiros não nos deixou dormir na casa que nos esperava. A sra. Anabela acolheu-nos em sua casa por esta noite e a próxima.
As manifestações continuam, e manifestação tem outra definição aqui. Manifestação é barricar, é
pilhar. Não se percebe porquê, mas aprendemos a não condenar.
Não chega pão, não chega água, não chega combustível à cidade. Está tudo fechado.
3 de Setembro
À força o conflito vai-se afastando da cidade de betão, o centro dos 20 por cento de população.
4 de Setembro
Acordamos já nesta casa arrenda por nós.
Fomos pela primeira vez às compras. A consciencia começa a chegar
5 de Setembro
Hoje é domingo, fomos comprar net a Matola.
Fomos almoçar ao mercado do peixe. Sitio incrível.
Ainda estamos sem aulas.
Africa é outra coisa.
Perde-se à força o que nos trouxe, temos que nos fabricar de novo para que a presença seja sincera e não uma visita exótica.
Nascemos outra vez mas desta o parto é nosso.
As manifestações acabaram, mas talvez amanha haja outra.
Maputo são duas cidades, a de cimento e a outra. A cidade de cimento é a dos governos, dos poderes, dos quadros, das empresas, e claro das construções de betão. A outra, a da gente, das empregadas domésticas, dos outros empregados e dos desempregados. Mas também a do aeroporto, a das estradas para a África do sul. Estradas do combustível, estradas da farinha, estradas do pão.
A confusão destes dias foi um grito, um grito da outra cidade que pára a de cimento. Esta gente vive de uma miséria. Quem tem emprego recebe 70 euros por mês. Não suporta um pão, uma água mais cara que a portuguesa.
É essa fractura.
No meio gente boa. Fraterna. Hospitaleira. Recebe-nos como filhos. Não estamos sozinhos, porque só assim podemos estar.
Estamos bem, kanimambo.
o gaspar em África com a mónica ao lado e com a carla
6 de setembro de 2010 às 03:34
sentidas as palavras, gaspar. custou muito ligar a televisão de manhã dia 1 de setembro, mas tudo compensou quando chegaram as notícias de que tinham conseguido dormir 'em paz'. vou esperando por ler, agr também já tenho e-mail. um abraço que teria de correr muito para chegar aí rápido. tudo de bom.
André topo
6 de setembro de 2010 às 14:06
foi um susto acredito! é muito interessante ver os contrastes daquilo que pode significar ser exchange student no mundo. é um catalogo de experiências. aproveitem meninos e tomem conta uns dos outros! não se metam em demasiadas alhadas. juízo e que não seja preciso ir buscar-vos pelas orelhas (tás a oubir oh carla??)!!!
continuem a monotorizar a vida dos primeiros faupinos à conquista de África de sempre! beijos e abraços topo